Na terceira temporada de “Força-tarefa”, os
autores, Fernando Bonassi e Marçal Aquino, zeraram a corrida do
(agora) coronel Wilson: ele perdeu quase todos os companheiros num
atentado. O recurso serviu ao propósito de renovar o elenco
— restam Milton Gonçalves e Fabíula Nascimento. E
reposicionou o policial em outro eixo dramático. Se antes o foco
era na ação, pelo menos neste primeiro episódio,
tudo estava diferente. Deprimido, Wilson envelheceu (a
caracterização merece todos os elogios) e se tornou
alcoólatra. Murilo Benício surgiu mais magro, mas seu
personagem, ao contrário, ficou pesadão, longe da
ligeireza dos heróis dos enredos de aventura. Finalmente, embora
a violência seja um tema do cotidiano brasileiro,
“Força- tarefa” nunca tinha feito uma
referência tão objetiva à realidade como agora,
exibindo até mesmo trechos da cobertura jornalística da
ocupação do Complexo do Alemão.
Apesar destas variantes, num ponto nada mudou: dirigida pelo
competente José Alvarenga, a série se mantém uma
das melhores da TV brasileira. O elenco é de primeira, roteiro e
direção, idem. A fotografia de Lula Carvalho enche os
olhos e não só pelos voleios estéticos, mas por
sua sintonia com a ação. É preciso sensibilidade e
inteligência para abrir planos que transmitam o alheamento e a
melancolia do coronel numa sessão de análise; ou, ainda,
para saber a hora de aproximar a câmera a ponto de dar a
impressão ao público de sentir a respiração
angustiada do personagem.
“Força-tarefa”, enfim, continua impecável.
PATRÍCIA KOGUT
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