9 de novembro de 2011

A terceira temporada de ‘Força-tarefa’ mantém o fôlego


TV Globo
Na terceira temporada de “Força-tarefa”, os autores, Fernando Bonassi e Marçal Aquino, zeraram a corrida do (agora) coronel Wilson: ele perdeu quase todos os companheiros num atentado. O recurso serviu ao propósito de renovar o elenco — restam Milton Gonçalves e Fabíula Nascimento. E reposicionou o policial em outro eixo dramático. Se antes o foco era na ação, pelo menos neste primeiro episódio, tudo estava diferente. Deprimido, Wilson envelheceu (a caracterização merece todos os elogios) e se tornou alcoólatra. Murilo Benício surgiu mais magro, mas seu personagem, ao contrário, ficou pesadão, longe da ligeireza dos heróis dos enredos de aventura. Finalmente, embora a violência seja um tema do cotidiano brasileiro, “Força- tarefa” nunca tinha feito uma referência tão objetiva à realidade como agora, exibindo até mesmo trechos da cobertura jornalística da ocupação do Complexo do Alemão.

Apesar destas variantes, num ponto nada mudou: dirigida pelo competente José Alvarenga, a série se mantém uma das melhores da TV brasileira. O elenco é de primeira, roteiro e direção, idem. A fotografia de Lula Carvalho enche os olhos e não só pelos voleios estéticos, mas por sua sintonia com a ação. É preciso sensibilidade e inteligência para abrir planos que transmitam o alheamento e a melancolia do coronel numa sessão de análise; ou, ainda, para saber a hora de aproximar a câmera a ponto de dar a impressão ao público de sentir a respiração angustiada do personagem.

“Força-tarefa”, enfim, continua impecável.

PATRÍCIA KOGUT

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